Alguém gritou … há morte!


O cozido foi servido aos homens, mas, assim que eles o provaram, começaram a gritar para Eliseu: — O cozido está envenenado! E não queriam comer. II REIS 4:40.

Houve um período de muita fome na terra nos dias do profeta Eliseu, conforme II Reis 8:1; 6:24-30. O povo estava faminto e desesperado por comida, qualquer coisa que servisse de alimento era bem-vinda, até a cabeça de jumento era servida como refeição e custava muito caro, o equivalente a 80 siclos de prata (1 siclo = 12gramas; 80 siclos = 960 gramas) ou 4,36 x 960 = $4.185,60 em 01/08/21.

A fome também atingiu a escola de profetas que ficava em Gilgal, o lugar onde estava o memorial das 12 pedras retiradas do Jordão, quando o povo judeu entrou na terra prometida. Embora os profetas servissem a Deus, eles não ficaram imunes a fome que atingiu a região.

O ser humano é capaz de fazer coisas incríveis quando está com fome. Pessoas podem pegar coisas no lixo, roubar e matar por um prato de comida quando estão famintas. O filho pródigo (Lucas 15:16) desejou comer da comida que os porcos se alimentavam, tamanha era a sua fome. A mesma coisa acontece no mundo espiritual. A fome espiritual pode levar as pessoas a agressão, violência sem limite e guerras.

Eliseu estava reunido com os profetas. Mesmo diante da escassez, ele pediu que fizessem uma sopa para todos. Veja que diante das circunstâncias não faltou atitude do profeta em pedir para que a panela fosse colocada no fogo. Mesmo sem ter ainda algo para cozinhar, ele sugeriu que se fizesse um caldo de ervas para que os filhos dos profetas se alimentassem.

  • Eliseu determinou uma tarefa difícil para um dos profetas, o rapaz deveria prover alimento para todos. O profeta não questiona a ordem de Elizeu. Talvez pensando em surpreendê-lo, não demorou muito e voltou com a sua capa cheia de alimentos para a refeição.
  • O rapaz que foi ao campo procurar ervas para ajudar na refeição encontrou uma planta com frutos amargos. Ele não sabia que aqueles frutos eram venenosos, então os recolheu em grande quantidade na sua capa, trouxe ao local onde estavam reunidos e misturou-os com outros ingredientes.
  • Quando a refeição foi servida, os discípulos perceberam que a sopa estava amarga e que tinha veneno na panela. Então avisaram Eliseu sobre o perigo, a morte estava no alimento servido aos profetas.

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Algumas lições que aprendemos nessa passagem:

I – A morte na panela pode surgir mesmo numa estrutura organizada e sólida. Os discípulos eram ministrados por Eliseu, reconhecido por ser o sucessor de Elias e um santo homem de Deus. Portanto, eles tinham o melhor ensino, a melhor preparação e mesmo assim a morte chegou até os seus pratos de alimentos.

  1. Embora a fome tivesse se alastrado naqueles dias, a escola dos profetas eram uma organização sólida. Os profetas estavam unidos no enfrentamento da crise e mesmo a morte entrou onde estavam.
  2. Além da solidez da organização, a escola de profetas tinha em Eliseu uma liderança autocrática. A sua palavra era respeitada pois ele tinha boas credenciais, era usado por Deus e suas obras eram conhecidas. Mas, mesmo assim a morte na panela chegou até eles.
  3. Jesus escolheu cada um dos doze discípulos entre a multidão de seguidores. Ele os treinou através dos exemplos e palavras para darem continuidade a missão de evangelizar o mundo. Quem olhasse de fora iria dizer que o time de Jesus era sólido e bem-organizado. Porém, entre os discípulos estava Judas, o filho do diabo, o traidor.
  4. A Bíblia é clara ao afirmar que foi um dos profetas que foi ao campo buscar ervas. Não foi um estranho, mas alguém conhecido que fazia parte do grupo de profetas. Um membro do grupo, que deveria trazer alimento saudável, trouxe por engano o veneno que quase matou a congregação dos profetas.
  5. O jovem profeta não soube discernir o tipo de alimento, ele foi enganado pela boa aparência da planta que era agradável aos seus olhos; ele encheu a sua capa de veneno e colocou na panela para todos. A falta de discernimento gera graves consequências e mancha a imagem do evangelho.
  6. As inovações teológicas e litúrgicas são introduzidas nas reuniões de culto sem qualquer discernimento. Tem muito crente se alimentando de heresias e modismos e estão sendo envenenados espiritualmente.
  7. O profeta pegou plantas que não conhecia, nem ele e nem seus companheiros que prepararam a refeição. Ele não sabia discernir o alimento bom do alimento ruim. Eles usaram ervas que não conheciam para se alimentar.
  8. Fazendo um paralelo com a realidade atual: o homem de Deus deve ter discernimento e conhecimento para saber qual alimento pode ser oferecido a igreja.
  9. O apóstolo Paulo disse em certa ocasião que os irmãos em Corinto necessitavam de alimento bíblico diferenciado por causa da condição espiritual deles – I Coríntios 3:1-2 – Na verdade, irmãos, eu não pude falar com vocês como costumo fazer com as pessoas que têm o Espírito de Deus. Tive de falar com vocês como se vocês fossem pessoas do mundo, como se fossem crianças na fé cristã. 2 Tive de alimentá-los com leite e não com comida forte, pois vocês não estavam prontos para isso. E ainda não estão prontos.
  10. Essa passagem nos mostra o que ocorre quando a pessoa se nega a crescer na graça e no conhecimento; do outro lado. Mostra também que o diabo deseja cegar espiritualmente as pessoas para que não conhecem a verdade, que é Cristo.
  11. A morte na panela ocorre quando falta, além do discernimento, paciência para testar, esperar, perguntar e aprender. O rapaz poderia ter se aprofundado na área e sido mais restrito em sua busca ou perguntado para outros sobre aquelas plantas, antes de introduzi-las na panela.
  12. Noé soube esperar 120 anos até que a arca ficasse pronta para o dilúvio;
  13. Moisés passou 40 anos no deserto, treinando o povo e preparando a geração seguinte até chegarem à terra prometida.
  14. O jovem profeta não foi paciente, pegou a planta, cortou-as e pôs na panela, sem atentar para os detalhes. Em tempo de fome, por que outros não pegaram da planta antes?
  15. Alguns estudiosos dizem que a planta era uma espécie de trepadeira ornamental, de flores amarelas e frutos com manchas muito parecidos com os pepinos comestíveis que conhecemos, do tamanho de uma laranja. Quando ingeridas produzem muitas dores abdominais e têm efeito laxante muito forte, podendo levar a morte.

II – O exemplo da morte na panela é uma realidade na igreja contemporânea. O mundo está faminto não de alimentos naturais (embora em alguns lugares isso seja verdade), mas de alimento para a alma. As pessoas estão como ovelhas sem pastor, cada um seguindo o seu próprio caminho sem discernimentos dos perigos que os rodeiam. Assim como o profeta saiu para apanhar ervas e foi atraído pela planta venenosa, muitas pessoas estão sendo atraídas pelos venenos sedutores que o príncipe deste mundo tem plantado em diferentes áreas da sociedade.

  1. Observem que: um profeta desatento levou quase toda a comunidade de profetas a se alimentarem do veneno. A fome era tão grande que ninguém percebeu no primeiro momento que aquele alimento lhes faria mal.
  2. O perigo das aparências. As vezes as coisas não são o que parecem, pessoas costumam se confundir com a aparência. Do mesmo modo que nem toda planta comestível é saudável; nem toda palavra pregada, retirada da Bíblia é verdade. O diabo pode deturpar a verdade e inserir o veneno da mentira. Quando isso ocorre, todo o evangelho que essas pessoas pregam fica comprometido.
  3. Os cristãos precisam de discernimento bíblico. Não devemos nos servir de tudo que é colocado a mesa. Alguns sermões são realmente fantásticos, emotivos, reveladores, mas estão recheados com o veneno que pode matar alguém espiritualmente.
  4. Citar versículos bíblicos podem te surpreender, mas cuidado com os textos fora de contexto. O diabo usou as escrituras para tentar Jesus no deserto. Portanto, nem toda palavra dita em nome de Deus procede de Deus.
  5. Um pouco de veneno comprometeu toda a refeição na panela. I Coríntios 5:6,7 – Não está certo que vocês estejam orgulhosos! Vocês conhecem aquele ditado: “Um pouco de fermento fermenta toda a massa.” 7 Joguem fora o velho fermento do pecado para ficarem completamente puros. Aí vocês serão como massa nova e sem fermento, como vocês, de fato, já são. Porque a nossa Festa da Páscoa está pronta, agora que Cristo, o nosso Cordeiro da Páscoa, já foi oferecido em sacrifício.
  6. Tudo que você ouvir a respeito da Palavra de Deus deve ser avaliado a fim de não ser enganado. Provérbios 24:3 NVI – Com sabedoria se constrói a casa, e com discernimento se consolida.

III. A morte na panela foi removida porque alguém gritou – tem veneno na panela. A salvação dos profetas foi o grito de alguém que percebeu que havia coisa errada na panela. Não sabemos se era alguém mais experiente ou mais velho, o que podemos afirmar é que ele era um bom observador. O homem que gritou, evitou que todos, inclusive Eliseu morressem envenenados.

Graças a Deus que existia uma solução contra o veneno na panela. Ao ser informado, Eliseu não disse para jogar fora a sopa envenenada e prepararem outra. Eliseu determinou que colocassem imediatamente farinha na panela. A farinha renovou a refeição dos profetas e deu-lhes forças para continuarem seus ofícios.

  • Isso prova o poder da palavra de Deus dita através de um profeta para transformar uma situação de morte em vida; de doença em cura; do impossível para o possível.

A farinha é um símbolo da Palavra de Deus, o remédio contra qualquer veneno espiritual. Hebreus 4:12 – Pois a palavra de Deus é viva e poderosa e corta mais do que qualquer espada afiada dos dois lados. Ela vai até o lugar mais fundo da alma e do espírito, vai até o íntimo das pessoas e julga os desejos e pensamentos do coração delas.

  • Quando somos expostos a palavra verdadeira, o veneno da heresia se dissipa. Que sejamos como os crentes bereanos que ouviam atentamente a pregação e depois, em casa, julgavam-na a luz das escrituras.

Vamos considerar que a panela representa o Altar de onde ministramos a Palavra de Deus as pessoas, através da pregação e louvor. O alimento espiritual que vem do Altar não pode estar contaminado. Assim como o veneno na panela poderia ter causado a morte de todos os profetas daquela escola; uma palavra envenenada proferida do altar pode trazer morte espiritual a igreja.

As igrejas onde seus membros estudam a Bíblia e oram com frequência, se assemelham ao homem que gritou. Por essa razão não dá para trocar o ensino da Palavra de Deus, oração, discipulado e as pregações bíblicas por programas que visam apenas o aumento numérico de membros; não podemos substituir os louvores com fundamentos bíblicos por músicas gospel com apelos comerciais.

  • Crentes que conhecem as escrituras não se deixam enganar pelos “pro-festas” que ocupam os púlpitos com suas mentiras a fim de ganharem aplausos e seguidores.

Ainda bem que há sempre alguém gritando para alertar os demais irmãos sobre o perigo do veneno doutrinário do:

  • relativismo, adaptação das verdades bíblicas ao estilo de vida pecaminoso;
  • vãs filosofias, tem muita gente sendo guiada pelos achismos ao invés da palavra da verdade;
  • mágoas, ausência de perdão;
  • desobediência e insubmissão, esse espírito tem dilacerado as famílias e sociedade;
  • murmuração e falatórios que para nada se aproveita.

Verso 40 (ARC) – O ensopado foi servido aos homens, mas, logo que o provaram, gritaram: “Homem de Deus, há morte na panela!” E não puderam mais tomá-lo.

  • Que tenhamos em nosso tempo profetas que gritem alertando o povo de Deus sobre o veneno que destrói a nossa comunhão com Deus.
  • A morte na panela precisa ser denunciada. Alguém precisa ter a coragem de gritar e alertar aos demais sobre o perigo que a igreja enfrenta ao se alimentar da palavra envenenada.
  • O grito daqueles que perceberam o veneno na comida impediu que a morte destruísse a arraial dos profetas. As pessoas que foram alertadas não quiseram mais comer daquela comida, até que o homem de Deus removesse o veneno.

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